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Implementação de BRUVS no Arquipélago de São Pedro e São Paulo para estimativa de abundância de predadores de topo

2022, agosto

Neste ano, estações de vídeo operadas com isca remotamente (da sigla em inglês BRUVS) foram implementadas no programa de monitoramento do ASPSP, especialmente para explorar recifes mesofóticos mas também para estimar a abundância de predadores de topo, incluindo peixes pelágicos e tubarões.

Desde 2017, a pesca com espinhel foi proibida na região e, muito recentemente, os tubarões começaram a recolonizar as águas ao redor das ilhotas. BRUVs pelágicos com sacos de sardinha fedorenta são usados ​​para atrair e estimar a abundância de tubarões dentro e ao redor do arquipélago. Os tubarões mais abundantes detectados são o tubarão-seda (Carcharhinus falciformis), com poucas vistas do tubarão de Galápagos (C. galapagensis). Este último foi considerado localmente extinto devido a mais de 40 anos de atividade de espinhel (Luiz & Edwards, 2011). No passado, os tubarões eram um componente comum de muitos ambientes marinhos, mas perdemos a linha de base de tê-los como principais predadores nas cadeias alimentares dos recifes em todo o mundo. Relatos antigos do ASPSP afirmavam que as águas ao redor eram totalmente povoadas por tubarões, o que tornava quase impossível pescar com anzol e linha. A proibição do espinhel foi uma iniciativa de conservação bem-sucedida em direção ao prístino e, a longo prazo, será possível entender as mudanças da comunidade na cadeia alimentar local, à medida que os tubarões se tornaram novamente os maiores predadores de topo.

1. Pôr-do-sol no Arquipélago de São Pedro e São Paulo. 2. BRUVS utilizados para estimar a abundância de predadores de topo, incluindo peixes pelágicos e tubarões. 3 e 4. Indivíduos de Carcharhinus falciformis detectados durante amostragem com BRUVS.

Boia oceanográfica PELD ILOC no Arquipélago Fernando de Noronha

2022, fevereiro

Na última expedição ao Arquipélago de Fernando de Noronha, foi instalada a primeira boia oceanográfica do PELD ILOC. Esta é a primeira de três boias que foram adquiridas através de doação e fruto de colaboração com o grupo Pole to Pole Americas e a Aqualink intermediada pelo professor Cesar Cordeiro (UENF). 

As boias fornecem dados de temperatura da água na superfície (1 m) e do fundo (23 m) praticamente em tempo real, além de dados de direção e intensidade de ventos e altura de ondas em intervalos de 6 horas. Os dados são públicos e abertos para todos!

Para ter acesso, entre no dashboards de Fernando de Noronha (https://aqualink.org/sites/1186).

Novos resultados – Comunidades de peixes recifais em recifes profundos no Arquipélago de São Pedro e São Paulo (0º55.01’ N; 29º20.76´ W, Brasil

2022, janeiro

Fotos da expedição Alucia obtida pelo Deep Rover 2 e Nadir submersíveis no Arquipélago de São Pedro e São Paulo. (A) Tosanoides aphrodite, (B) Hexanchus griseus, (C) Anthias asperilinguis, (D) Physiculus sp., (E) Coelorinchus sp. e (F) Gymnothorax maderensis com uma garrafa ao lado.

O PELD ILOC faz parte do Programa Ecológico de Longa Duração brasileiro desde 2012 e tem como foco o monitoramento das comunidades de recifes rasos nas quatro ilhas oceânicas brasileiras. Além disso, o projeto colabora ativamente com pesquisas que exploram os recifes mesofóticos dessas ilhas.

Neste sentido, em 2017, o PELD ILOC participou da expedição a bordo do navio de pesquisa americano MV Alucia, em parceria com pesquisadores da Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI, EUA), da Universidade Federal Fluminense (UFF, Brasil), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB, Brasil) e da California Academy of Sciences (EUA). O principal objetivo desta expedição foi procurar por “fumarolas brancas” no Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP). Secundariamente, imagens captadas pelo Deep Rover 2 (DR) e pelo submersível Nadir ao redor do Arquipélago, permitiram o levantamento inédito da ictiofauna recifal de ambientes profundos do local. A investigação destes peixes tem sido desenvolvida pelo estudante de graduação Cezar De Araújo (UFF), sob a supervisão do Dr. Carlos E.L. Ferreira (UFF) e do Dr. Hudson T. Pinheiro (CEBIMar, USP).

A contagem e identificação de peixes foi possível através da análise de fotos em time-lapse obtidas por câmeras instaladas em dois submersíveis, em transectos de 100 a 700 metros. A identificação de 1.924 indivíduos (pertencendo a 32 espécies, 15 ordens e 23 famílias) revelou uma comunidade de peixes muito distinta das comunidades de recifes rasos do local. Os dados mostraram uma diminuição na abundância e riqueza de espécies com o aumento da profundidade. Planctívoros bentônicos de ambientes mesofóticos foram significativamente dominantes até 400 metros de profundidade (ex., Anthias asperilinguis), com uma clara mudança para macro carnívoros a maiores profundidades (ex., Physiculus sp.). Muitas espécies tiveram sua extensão de profundidade conhecida aumentada, como o peixe-borboleta endêmico Prognathodes obliquus, para 300 m de profundidade. Este trabalho contribuiu para o entendimento da estrutura de comunidade de peixes recifais de ambientes profundos do ASPSP, destacando muitos dos impactos detectados (ex., lixo) e a vulnerabilidade destas espécies de peixes únicas.

Abundância relativa das famílias e espécies de peixes dominantes ao longo dos gradientes de profundidade e temperatura em recifes profundos do Arquipélago de São Pedro e São Paulo. N/m = número total de peixes escalado com tempo de fundo a cada 100 metros.

Peixe-leão em águas brasileiras?

2022, janeiro

O segundo espécime de peixe leão capturado aos 25 metros de profundidade em Fernando de Noronha em agosto deste ano. Créditos: Sea Paradise e Clara Buck.

A considerável expansão na distribuição do peixe-leão (Pterois spp.) pela costa leste dos EUA, Bermudas e toda a região do Caribe e Golfo do México em menos de 30 anos, deixou em alerta pesquisadores sobre a possível chegada em águas brasileiras. Apesar do grande potencial invasor do peixe-leão, a Barreira Amazônica [quebra biogeográfica resultante da descarga de água doce e sedimentar dos rios Amazonas e Orinoco] e das correntes marinhas contrárias impuseram resistência à chegada e estabelecimento da espécie nas águas brasileiras, pelo menos até agora (Luiz et al., 2003).

De setembro de 2020 a presente data (setembro de 2021), vários registros de peixe-leão já foram realizados em águas brasileiras, em recifes mesofóticos na foz do rio Amazonas, e no Arquipélago de Fernando de Noronha permitindo aos pesquisadores inferirem a provável rota de invasão no Atlântico Sul (ver em “publicações” Luiz et al. 2021). Mas não parou por ai, novos registros de peixe-leão estão acontecendo mais frequentemente, até agora 09 indivíduos foram capturados e outros mais avistados em menos de um mês em Fernando de Noronha. Da mesma maneira, na costa norte do país, pelo menos uma dezena já foi capturado por pescadores.

Como as ilhas oceânicas abrigam muitas espécies endêmicas, com distribuição de curto alcance, que são presas potenciais do peixe-leão, o monitoramento e o controle da captura já estão sendo implementados. As atividades de monitoramento do peixe-leão, bem como a capacitação da equipe do ICMBio estão sendo realizadas em parceria com o PELD Iloc.

Mais informações:

Encontro Recifal Brasileiro – EreBra 2020

2020, setembro

O I Encontro Recifal Brasileiro foi realizado entre os dias 06 e 08 de julho e ocorreu virtualmente, obedecendo as regras de distanciamento social em época de pandemia. O evento mesmo online, reuniu mais de mil expectadores simultâneos e mais de 1000 inscritos, que se distribuíam entre cientistas da área, estudantes de começo de carreira e curiosos dos ambientes recifais, além de pessoas detodas as localidades brasileiras e estrangeiros. Foi idealizado pelo pesquisador César Cordeiro e promovido por uma equipe formada por estudantes de graduação, doutorado e afins dos Laboratórios: LECAR-UFF e LECOM-UFRN. Durante os três dias foram realizadas nove mesas-redondas com diversas temáticas que iam desde o conhecimento primordial dos recifes de coral, integração de ciência-sociedade-política, até as últimas tecnologias que estão sendo usadas para a pesquisa nesse ambiente. As habituais apresentações de trabalhos científicos também aconteceram virtualmente, os autores enviaram vídeos sobre seus respectivos trabalhos que foram disponibilizados via YouTube para transmissão de todos os participantes do evento. Nessa categoria tivemos três trabalhos aceitos com dados do PELD ILOC, incluindo o trabalho do Ms. Vitor Picolotto que ficou classificado entre os 10 melhores trabalhos do evento. A integração dos pesquisadores e ouvintes foi de grande importância, houve muitos momentos de debates e reflexões sobre como os estudos nas áreas recifais continuarão ocorrendo durante e após a pandemia. Esse foi o primeiro evento no país direcionado exclusivamente ao público recifal e em 2021 esperamos que possa ocorrer presencialmente. Para quem se interessar, todas as mesas-redondas, bate-papos e os trabalhos do PELD estão no canal do Youtube do Evento (@encontrorecifalbr), disponíveis para visualização quando e onde quiser. O evento ocorreu junto ao Global Coral Reef Week que também foi realizado virtualmente com palestras de diversos pesquisadores do Caribe entre outros países, a programação do CRWG também está disponível no canal do encontro brasileiro. É isso, nos vemos em 2021 com muito mais EreBra!!!

YouTube Channel

Vídeo Ana Cristina Leonel

Vídeo Luísa Fagundes

Vídeo Vitor Picolloto

Nova reportagem na revista The Marine Biologist

2020, junho

Agora em Abril de 2020 saiu uma reportagem do doutorando Lucas T. Nunes e colaboradores sobre o trabalho realizado pelo projeto PELD Ilhas Oceânicas na revista internacional The Marine Biologist. Venha conferir! Clique aqui para baixar o arquivo.

Nova reportagem na revista National Geographic Brasil

2020, junho

A revista National Geographic Brasil publicou a reportagem ´Desequilíbrio dos oceanos é, ao mesmo tempo, causa e efeito da crise climática´ em 04 de março de 2020 e contou com a participação da pesquisadora Dra. Anaide W. Aued.

Link de acesso aqui.

I Workshop de Integração de Séries Temporais de Ecossistemas Marinhos do Brasil

2020, fevereiro

Link para reportagem do CNPq.

Entre os dias 10 e 12 de fevereiro, na cidade de Arraial do Cabo (RJ), o projeto PELD Ilhas Oceânicas, com apoio da FAPERJ, UFF e IEAPM, promoverá o I Workshop de Integração de Séries Temporais de Ecossistemas Marinhos do Brasil. O evento contará com a participação de pesquisadores de 17 grupos de pesquisa de sete Estados brasileiros mais o Distrito Federal, que já monitoram por longos períodos os ambientes marinhos brasileiros.

O principal foco do workshop será integrar os esforços de monitoramento já realizados em grande parte da costa do Brasil, para juntos entender as variações da biodiversidade marinha ao longo do tempo. Também pretende-se identificar os efeitos antrópicos e climáticos que afetam o meio ambiente costeiro e oceânico do país, para fornecer subsídios para estratégias de conservação.

Release Trindade

2020, janeiro

Distante 1200 km da costa de Vitória/ES (costa sudeste do Brasil), a Ilha da Trindade foi o destino de mais uma expedição do programa de monitoramento das ilhas oceânicas brasileiras PELD-ILOC. Esta foi a quinta expedição conduzida pelo nosso grupo ao complexo recifal Trindade e Martin-Vaz, os pontos mais extremos da cadeia de montanhas submarinas Vitória-Trindade, um ecossistema isolado e único no Brasil. Este ano equipe PELD-ILOC foi composta por quatro pesquisadores: Ph.D. Gabriel Cardozo-Ferreira (LECAR), Ph.D. Anderson Batista (UFES), M.Sc. Larissa Benevides (UFAL) e B.S. Thais Macedo (UFSC).

Durante a expedição, uma série de atividades foram desenvolvidas com o objetivo de monitorar diferentes aspectos do ecossistema marinho da ilha, como: assembleia de peixes recifais, composição da cobertura bentônica, status de saúde das colônias do coral Montastrea cavernosa, estrutura populacional do caranguejo aratu (Grapsus grapsus), e a estrutura da assembleia de ouriços. Além disso, a equipe também coletou outros dados para pesquisas correlacionadas ao PELD, por exemplo, coleta de amostras de diferentes colônias de coral para análise de DNA, algas calcáreas para biologia molecular e espécimes de peixes para estudos de ecologia trófica. Toda a viagem teve o suporte da Marina do Brasil, desde o transporte até a ilha até o apoio nas amostragens na própria ilha. Trindade continua com seu clima típico, com chuvas esparsas quase todos os dias, mas também muito sol que nus ajudou durante os mergulhos iluminando a sua água incrivelmente azul com sua bela e diversa comunidade (e nos aquecendo nos intervalos de superfície e após os mergulhos). Baleias jubartes foram avistadas constantemente fora a partir da ilha e do bote, assim como seu canto foi ouvido durante os mergulhos. Nós também pudemos ver tubarões de recifes, barracudas, diferentes espécies coloridas de peixes recifais, golfinhos e tartarugas verde e de pente. Estamos de volta, mas já ansiosos pela próxima expedição. Nos vemos em breve, Trindade!

Release São Pedro e São Paulo

2020, janeiro

Durante o último mês de outubro foi realizada a expedição anual no PELD-ILOC (Programa Ecológico de Longa Duração) ao Arquipélago de São Pedro e São Paulo ((00°55’N, 29°22’O).). Esse ano, a equipe foi formada pelos seguintes membros: Dr. Anaide Aued (UFSC), Dr. Thiago Mendes (UNIFESP), M.Sc. Amana Garrido (UFRJ) e Mateus Silva (Marinha do Brasil). O ASPSP (00°55’N, 29°22’W) consiste em um grupo de dez pequenas ilhas localizadas no Atlântico equatorial no meio do caminho entre Brasil e África. Por conta do seu tamanho pequeno e isolamento, o ASPSP é considerado um laboratório natural para o estudo e monitoramento de comunidades marinhas. Chegar no arquipélago não é uma tarefa fácil; demora-se quatro dias dentro de um barco de pesca com 17 metros de comprimento. Depois disso, os pesquisadores permanecem na ilha durante as próximas duas semanas na pequena estação científica mantida pela Marinha do Brasil com comunicação com o continente bastante limitada. O principal objetivo desta expedição foi realizar o monitoramento anual dos componentes recifais e as atividades incluíram amostragem da comunidade bentônica e da assembleia de peixes recifais, filmagem remota da interação alimentar entre os peixes e o bentos, avaliação do estado populacional do caranguejo Grapsus grapsus, coleta de peixes, algas, cnidários e outros invertebrados. A pesquisa conduzida por nosso grupo está gerando importantes informações a respeito desse sistema recifal único. Dado o recente estabelecimento de uma nova Área Marinha Protegida ao redor do ASPSP, esperamos que nossa pesquisa auxilie no manejo e proteção locais principalmente em face do crescente impacto que os oceanos sofrem ao redor do mundo.

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